Já aconteceu de se olhar no espelho e ver uma pessoa estranha? Engraçado como às vezes acordamos nos sentindo poderosos e invencíveis e no outro tão frágeis e perdidos.
Dizem que é a auto-estima, dizem que é o ego, dizem que só é a vida mesmo.
A sensação de não estar se encaixando no seu habitat é tão dolorosa que o isolamento às vezes é inevitável. A luta constante entre a face pública e o lado mais intimo do seu Eu interior já fez muita gente (inclusive eu) torrar alguns neurônios e até soltar uns gritos. Há momentos que tudo o que mais queremos é ser peculiares e únicos, em outros o desejo de se enquadrar dentro do padrão nos consome em uma busca alienada ao encontro do desespero. Afinal, você é o que vê ou vê o que é? Ou ainda, ser é essência ou aparência? As perguntas parecem tolas e as respostas óbvias, mas pense bem, quanto do seu caráter, personalidade e feição foram influenciados pela sua carcaça? Tenho uma teoria, é boba, porém vinda de minha pessoa até faz certo sentido. Creio que as pessoas que foram ridicularizadas na infância são mais interessantes na vida adulta do que aquelas que eram belas e tinham uma lancheira bacana.
O contato com a crueldade infantil (que por sinal é a mais cruel), imprime qualidades irrefutáveis no que se diz respeito ao comportamento em sociedade. Eu por exemplo, era gordinha, a mais alta da turma, usava tampão no olho, sem contar os óculos é claro. Resumindo, a zuada. E se querem saber, sou bem legal hoje em dia (acredite se quiser). O fato é que as situações adversas fazem com que nos adaptemos a elas de maneira que o instinto de sobrevivência nos leva em direção á superação. Aprendizados a parte, a sensação de não estar dentro dos padrões (inantingíveis) ainda é bastante ruim. Pode parecer futilidade querer se encaixar em um modelo de beleza, mas qual mulher nunca quis perder pelo menos 3 kg e qual homem nunca pensou que um bíceps maior seria mais interessante? O belo é desejado, cobiçado e muito valorizado, isso não é contestável. A verdade é que ninguém quer ser feio, gordo, fraco ou cafona. E por esse motivo, cada vez mais são abertas mais academias, clinicas de estética, salões de beleza entre outros. A saúde deixou de ser prioridade há alguns anos e o que massivamente importa é ser lindo(a). Beleza é poder, e isso também não é algo contestável apesar de muita gente fingir que os únicos valores a serem atribuídos á uma pessoa ser caráter, talento e coisas do tipo. Conteúdo convence, é claro, mas é a beleza que atrai. Ninguém é paquerado em um bar, por exemplo, por ser uma pessoa bacana e com princípios admiráveis, o que chama atenção logo de cara é o quão belo você é. E se a beleza não é seu forte, você deve ser duplamente bacana, inteligente, legal, enfim... A aparência muda sim, de alguma forma a maneira como somos vistos e como nos vemos dentro de um núcleo social. Chato isso né?

