domingo, 6 de março de 2011

O importante é ter saúde?



Já aconteceu de se olhar no espelho e ver uma pessoa estranha? Engraçado como às vezes acordamos nos sentindo poderosos e invencíveis e no outro tão frágeis e perdidos.
Dizem que é a auto-estima, dizem que é o ego, dizem que só é a vida mesmo.
A sensação de não estar se encaixando no seu habitat é tão dolorosa que o isolamento às vezes é inevitável. A luta constante entre a face pública e o lado mais intimo do seu Eu interior já fez muita gente (inclusive eu) torrar alguns neurônios e até soltar uns gritos. Há momentos que tudo o que mais queremos é ser peculiares e únicos, em outros o desejo de se enquadrar dentro do padrão nos consome em uma busca alienada ao encontro do desespero. Afinal, você é o que vê ou vê o que é? Ou ainda, ser é essência ou aparência? As perguntas parecem tolas e as respostas óbvias, mas pense bem, quanto do seu caráter, personalidade e feição foram influenciados pela sua carcaça? Tenho uma teoria, é boba, porém vinda de minha pessoa até faz certo sentido. Creio que as pessoas que foram ridicularizadas na infância são mais interessantes na vida adulta do que aquelas que eram belas e tinham uma lancheira bacana.
O contato com a crueldade infantil (que por sinal é a mais cruel), imprime qualidades irrefutáveis no que se diz respeito ao comportamento em sociedade. Eu por exemplo, era gordinha, a mais alta da turma, usava tampão no olho, sem contar os óculos é claro. Resumindo, a zuada. E se querem saber, sou bem legal hoje em dia (acredite se quiser). O fato é que as situações adversas fazem com que nos adaptemos a elas de maneira que o instinto de sobrevivência nos leva em direção á superação. Aprendizados a parte, a sensação de não estar dentro dos padrões (inantingíveis) ainda é bastante ruim. Pode parecer futilidade querer se encaixar em um modelo de beleza, mas qual mulher nunca quis perder pelo menos 3 kg e qual homem nunca pensou que um bíceps maior seria mais interessante? O belo é desejado, cobiçado e muito valorizado, isso não é contestável. A verdade é que ninguém quer ser feio, gordo, fraco ou cafona. E por esse motivo, cada vez mais são abertas mais academias, clinicas de estética, salões de beleza entre outros. A saúde deixou de ser prioridade há alguns anos e o que massivamente importa é ser lindo(a). Beleza é poder, e isso também não é algo contestável apesar de muita gente fingir que os únicos valores a serem atribuídos á uma pessoa ser caráter, talento e coisas do tipo. Conteúdo convence, é claro, mas é a beleza que atrai. Ninguém é paquerado em um bar, por exemplo, por ser uma pessoa bacana e com princípios admiráveis, o que chama atenção logo de cara é o quão belo você é. E se a beleza não é seu forte, você deve ser duplamente bacana, inteligente, legal, enfim... A aparência muda sim, de alguma forma a maneira como somos vistos e como nos vemos dentro de um núcleo social. Chato isso né?

terça-feira, 1 de março de 2011

Ahhh, o amor!



Por que será que teimamos em querer saber a causa de cada tristeza, de cada angustia que sentimos? Não é possível simplesmente aceitar a melancolia e ser feliz com ela?
Sei que a idéia parece um tanto quanto incoerente, mas a felicidade propriamente dita, (essas de propaganda de margarina) nem sequer existe e estar triste não significa ter uma vida ruim. Desde ontem estou sentindo uma vontade de ficar só, pensar e escrever...
A verdade é que faz um bom tempo que eu não me apaixono e isso para uma pessoa como eu, é quase a morte. Não ter o encantamento de desejar e ser desejada, a vontade de ficar grudada no seu “amor” 24 hs por dia, enfim ... a falta disso me corrói.
Uma coisa eu digo: ser assim é para poucos. O fardo é pesado. Saber que o amor não é para mim as vezes dói, mas me sentir viva a cada paixão intensa que vem como chuva de verão recompensa quase tudo. Quem manda ser passional, intensa e ter alma de poeta?
“Quem sabe eu ainda sou uma garotinha? Esperando o ônibus da escola, sozinha... Eu só peço a deus, um pouco de malandragem... Eu sou poeta e não aprendi a amar”
Acho incrível como os poetas expressam a maior beleza da vida sem ao menos a terem  sentido. Na verdade é tudo imaginação, idealização e por esse motivo é tão belo.
Eu agradeço por não amar, pois amar prende, limita e conforma. Ser livre para viver não tem preço e eu não troco essa liberdade por nenhum amor.
Não é a toa que Vinicius de Moraes casou-se nove vezes. Quando a paixão acaba, juntamos os cacos e partimos para outra. Um pouco humilhados, um pouco magoados mas definitivamente um pouco mais fortes. Não tenho a pretensão de me casar nove vezes, mas pelos vinte anos recém completados creio que eu chegue aos trinta com uma bela coleção de paixões. Sou sim mulher de um homem só. Um de cada vez; (ou não).
É por essa e outras razões que uma mulher muda tanto a partir do momento em que vira mãe. Na maioria das vezes, o primeiro amor é o filho. Se você pensa que ama seu marido, namorado, amante; de duas uma: ou você é do tipo mulherzinha mesmo ou nem têm critério para saber o que é amor. Confesso que não tenho muita vocação para a maternidade, mas estou disposta a encarar (um dia) um barrigão e muita alteração hormonal só para saber como é esse tal de amor. Um segundo de cada vez. É dessa maneira que pretendo viver minha vida desse segundo em diante. Sem muitas preocupações, idealizações e em especial mágoas. “Quem vem com tudo não cansa”. E não precisa ter fim.